terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Carnaval de Olinda 2011 – Agenda das Prévias – 24/02 a 04/03


Quinta-feira 24/02
·         Ensaio aberto da Maracambuco
Horário: 19h – Avenida Presidente Kennedy, 1228 – Vila Popular
·         Prévia do Bloco Sai na Marra
Horário: 18h – Sede do PCdoB/Olinda – Av.
Presidente Getúlio Vargas, nº 23 – Bairro Novo
Sexta-feira 25/02
·         Acerto de marchas do Bloco Flor da Lira
Horário: 19h – Mercado da Ribeira – Sítio Histórico
·         Prévia do Saberé
Concentração: 20h – Praça do Embrião, perto do terminal de Ouro Preto COHAB
Sábado 26/02
·         Arrastão do Bloco Cachorro que Lambeu o Seu
Concentração: 10h – Terminal do ônibus Jardim Atlântico
·         Desfile do Bloco Os Chegados
Concentração: 13h – Clube Atlântico – Carmo
·         Ensaio aberto das Conxitas
Concentração: 16h – Em frente à Biblioteca Pública – Carmo
·         Ensaio aberto de diversos maracatus
Concentração: 16h – Parque do Carmo – Carmo
·         Prévia do Bloco Enquanto Isso na Sala da Justiça
Horário: 22h – Centro de Convenções – Complexo de Salgadinho
Domingo 27/02
·         Desfile das Virgens do Bairro Novo
Concentração: 8h – Praça 12 de Março – Bairro Novo
·         Ensaio aberto das Conxitas
Concentração: 16h – Em frente à Biblioteca Pública – Carmo
·         Ensaio aberto de diversos maracatus
Concentração: 16h – Parque do Carmo – Carmo
·         Ensaio aberto do CCM Burra do Rosário
Concentração: 15h – Espaço Cultural Burra do Rosário, na 2ª Travessa da Saudade – Guadalupe
·         Arrastão do Ceroula
Concentração: 15h – Praça do Carmo – Carmo
·         Bloco da Diversidade
Concentração: 16h – Pousada Alto Astral, na Rua 13 de Maio – Carmo
Segunda 28/02
·         Noite para os Tambores Silenciosos
Concentração: 20h – Quatro Cantos – Sítio Histórico
Terça 01/03
·         UFS COHAB Peixinhos na Folia
Concentração: 11h – Posto de Saúde COHAB Peixinhos (próximo à delegacia) – Peixinhos
Quarta 02/03
·         O Babão
Concentração: 18h – Clube Atlântico – Carmo
Quinta 03/03
·         O Menino Treloso
Concentração: 19h – Clube Atlântico – Carmo
Sexta 04/03
·         Bloco Projeto 50
Concentração: 17h – Clube Atlântico – Carmo
·         O Virgem de Guadalupe
Concentração: 21h – Associação do Guadalupe – Guadalupe

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Carnaval de Pernambuco 2011 ou Caldeirão/Olinda Beer?

Por Guilherme Moura em 21 de fevereiro de 2011

Revelação: "Heheheheheheheheheheheh... valeu Empetur!"
Sério… acho que misturaram as programações e ao invés de publicarem o Carnaval de Pernambuco 2011 publicaram o Olinda Beer ou Caldeirão. É importante explicar que agora quem promove o carnaval é a EMPETUR (Alberto Feitosa do PP da Lei Seca dos Estádios e Lei contra o Bullying) e não a Fundarpe. Confiram trechos do release:
“Para produzir e divulgar o Carnaval 2011, o Governo está investindo cerca de R$ 18 milhões, sendo R$ 16 milhões para a montagem dos polos e o restante para a divulgação da campanha publicitária nos principais mercados emissores”.
18 milhões ões ões ões….
“Os municípios polos foram distribuídos da seguinte maneira, a partir de cada região: Região Metropolitana (Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes), Litoral (Tamadaré, Ipojuca e Itamaracá), Agreste (Bezerros, Águas Belas e Pesqueira), Zona da Mata (Catende, Goiana, Nazaré da Mata, Paudalho, Vitória e Timbaúba) e Sertão (Petrolina, Belém do São Francisco, Salgueiro e Triunfo)”
Acho que esqueceram de divulgar a programação de Olinda e Recife :/
“A Secretaria de Cultura, através da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), encaminhou à Empetur a relação dos artistas inscritos nos editais culturais. Vários destes projetos foram contemplados no Carnaval, construindo uma grade plural e diversificada, mas garantindo aos artistas pernambucanos quase 80% dos espaços de palco.”
Não entrou nenhuma banda pop (tirando a cover Nós4) pelo edital?
Que adianta falar em 80% de “pernambucanos” quando os “headliners” são Revelação, Pinel, Pimental Nativa, É o Tchan, Margareth Menezes, Art Popular, Benito de Paula,  Gustavo Lins, Fabio & Nando, Tatau (é aquele do Araketu ou Olodum?), Marreta, Pixote, Raça Negra,  Fundo de Quintal e Jorge Aragão (esses dois últimos eu gosto :P).
Lembro que no Fortim em Olinda (um dos polos do governo) já teve Nação Zumbi, Eddie, Orquestra Contemporânea de Olinda, Marcelo D2, 3 na Massa, Mundo Livre S/A, Cordel do Fogo Encantado
Vamos torcer para que a programação esteja incompleta ou foi culpa de um estagiário fã de axé/pagode/sertanejo que misturou a programação do Carnaval do Governo com a do Olinda Beer e Caldeirão.
Muito axé pra vocês (é o que deseja o governo de pernambuco) ;P
Confira a programação do Carnaval 2011 de Pernambuco
Vitória de Santo Antão:
Sábado 05/03: Revelação, Banda Leva e Voador Elétrico
Domingo 06/03: Banda Pinel e Pimenta Nativa
Segunda 07/03: Kitara, Nonô Germano e Trio Butuka
Terça 08/03: Alceu Valença e Benil Ramos
Bezerros:
Sábado 05/03: Revelação, Banda Leva e Voador Elétrico
Domingo 06/03: André Rio, Pimenta Nativa, Belo X e Renato Barros
Segunda 07/03: Art Popular, Big-Big Samba Club, Orquestra Maestro Apolonio e Arreia Lenha
Terça 07/03: Patusco, Benil Ramos e Renato Barros
Itamaracá:
Sábado 05/03: Margareth Menezes, Só na Morosidade e Orquestra Garcia
Domingo 06/03: Alceu Valença, Nos 4 e Almir Rouche
Segunda 07/03: Reginaldo Rossi, André Rio e Elifas Júnior
Terça 08/03: Jorge Aragão, Eduardo Fonseca e Super Oara
Jaboatão dos Guararapes:
Sábado 05/03: Fundo de Quintal e Pressão D+
Domingo 06/03: Bom Gosto e Benil Ramos
Segunda 07/03: Gustavo Lins, Andre Rio e Jefferson Rouche.
Terça 08/03: Art Popular e Banda Pinel.
Goiana:
Sábado 05/03: Revelação
Domingo 06/03: Margareth Menezes
Segunda 07/03: Jorge Aragão e Almir Rouche
Terça 08/03: André Rio e Pressão D+
Paudalho:
Domingo 06/03: Nos 4, Bom Gosto, Só na Morosidade e Trio Butuka
Segunda 07/03: Almir Rouche, Art Popular, Banda Bem e Renato Barros
Terça 08/03: Fabio e Nando, Carlinhos Monteverde, Banda Leva e Pressão D+
Nazaré da Mata:
Sábado 05/03: Art Popular
Domingo 06/03: Gustavo Lins e Banda Bem
Segunda 07/03: Leci Brandão e Big Big Samba Clube
Terça 08/03: Banda Leva e Gingado Maluko.
Petrolina:
Sábado 05/03: Banda Pinel, Carlinhos Monteverde, Gustavo Lins, Orquestra de Frevo de Petrolina e Capital do Frevo.
Domingo 06/03: Bichinha Arrumada, Fabio e Nando, Banda Asas, Leci Brandão e Kitara
Segunda 07/03: Fundo de Quintal, Chico Cesar, Patusco, Maestro Brasil e Spilicut
Terça 08/03: Só na Marosidade, Geraldo Azevedo, Biti Beleza, Raniere e Banda, Som da Terra
Triunfo:
Sexta 04/03: Benito de Paula, Edição Extra e Beat Beleza
Sábado 05/03: Banda Pinguim, Luiz Ayrão e Los Cubanos
Domingo 06/03: Orquestra Madureira, Chicote Elétrico, Voa Voa e Art Popular
Segunda 07/03: Ambrosino Martins, Fábio e Nando, Orquestra Leonildo
Terça 08/03: Fundo de Quintal, Badalê, Almir Rouche e Romero Pernambuco
Timbaúba:
Sexta 04/03: Alceu Valença, Nos 4 e Dino Braia
Sábado 05/03: Art Popular, Cristina Amaral e Elias Ahur
Domingo 06/03: Almir Rouche e Spilicut
Segunda 07/03: Jorge Aragão, Maestro Metal e Som da Terra
Terça 08/03: Vai D3 e Arreia Lenha
Catende:
Sábado 05/03: Tatau, Gustavo Travassos, Cascabulho e Renato Barros
Domingo 06/03: Jorge Aragão, André Rio, Banda Leva e Ed Carlos
Segunda 07/03: Benil Ramos, Só na Morosidade e Eduardo Fonseca
Terça 08/03: Gustavo Lins, Banda Bem e Kitara
Águas Belas:
Sábado 05/03: Benil Ramos, Banda Bem, Kitara e Beto Ortiz
Domingo 06/03: Pinguim, Cristina Amaral, Banda Vinil, Cowboys e Antulio Madureira
Segunda 07/03: Banda Asas, Banda Leva, Mel com Terra Elétrico, Mano Mariely e Sergio Cassiano
Terça 08/03: Duas Medidas, Lula Queiroga, Maracatu Leão Misterioso, Banda de Pau e Corda e Marreta é Massa.
Ipojuca:
Sábado 05/03: D´Breck e Nós 4
Domingo 06/03: Beat Beleza e Patusco
Segunda 07/03: Gustavo Lins e Pressão D+
Terça 08/03: Big Big Samba Club e Art Popular
Salgueiro:
Sábado 05/03: Barca Maluca, Morena Bronzeada, Spock e Pixote
Domingo 06/03: Morena Bronzeada, Patusco, Serginho e Banda, Simbora e Geraldinho Lins
Segunda 07/03: Orquestra Raízes, Morena Bronzeada e Raça Negra
Terça 08/03: Irah Caldeira, Nena Queiroga, Cristina Amaral e Arrastão com Sambadeiras
Pesqueira:
Quinta 03/03: Timbaladoido e Asas da América
Sexta 04/03: Super Oara e Nairê
Sábado 05/03: Marreta é Massa
Domingo 06/03: Pixote
Segunda 07/03: Spok
Terça 08/03: Raça Negra e Patusco
Tamandaré:
Sábado 05/03: Jorge Aragão, Gingado Maluco e Nosso Jeito
Domingo 06/03: Fundo de Quintal, Benil Ramos e D´Breck
Segunda 07/03: Excesso de Bagagem, Trio da Huana e Saraievo
Terça 08/03: Reginaldo Rossi, André Rio e Axé Mania
Belém do São Francisco:
Sábado 05/03: Queco e Banda e Perfume do Forró
Domingo 06/03: Jean Ramos, Swing Massa e É o Tchan
Segunda 07/03: Duas Medidas, Camilly e Yasmin
Terça 08/03: Almir Rouche, Kletichi e Fica Aí
Quem quiser “xingar muito no twitter“: http://twitter.com/ofoliaope

África mãe da terra, coração do planeta

Tema do Carnaval de Olinda 2011 é África. O artista plástico responsável pela cenografia da cidade, Fernando Augusto, é o homenageado da festa

Por Secretaria de Comunicação de Olinda
Maracatu Pernambucar-te (Prévias - Carnaval 2011)
As prévias do carnaval 2011 atraem uma multidão nos fins de semana. Na foto, Maracatu Pernambucar-te. Foto: Fernanda Mafra/Pref.Olinda
No Carnaval 2011, a Prefeitura Municipal de Olinda irá render homenagem ao continente africano. “África mãe da terra, coração do planeta” é o tema da festa, que leva a assinatura do artista plástico Fernando Augusto, figura já tradicional do maior Carnaval de rua do mundo.
- CENOGRAFIA
A cenografia da cidade para os festejos de Momo contará com mais cem peças de até 4,70 metros e levará o folião a um passeio pelas origens da humanidade. Bonecos representando diferentes etnias, totens, máscaras, marionetes tradicionais africanas e animais da fauna local, como galinha d´Angola, leopardo e macaco, estarão distribuídos por 44 palcos no Sítio Histórico de Olinda.
“Foi da África que saíram todos os demais continentes. Ela é a mãe da humanidade”, explica o artista sobre o tema da cenografia. Fernando se refere ao fenômeno geológico denominado pangeia, ocorrido há cerca de 200 milhões de anos. A teoria baseia-se no preceito de que todos os continentes formavam um único bloco de terra e foram se desprendendo a partir do centro que hoje conhecemos como África. “Toda a fonte de conhecimento vem de matrizes africanas”, complementa o artista.
Figuras elegantes, longilíneas, cheias de movimento e monolíticas (esculpidas em uma só peça) ganham vida nas cores marrom, ocre e vermelho queimado. Tudo fruto de pesquisa desenvolvida pelo artista, envolvendo dezenas de livros e ainda duas visitas ao continente. “Nós latinos temos uma dívida com a África, de onde herdamos nossas matrizes sociais, nossa cultura e hábitos”, comenta Fernando Augusto.
O cenógrafo conta com um time de 40 artesãos, sendo cinco deles destacados para esculpir as peças. Olindeses das comunidades do V8 e V9, além de artesãos vindos dos municípios de Ibimirim e Glória do Goitá estão entre os especialistas em transformar isopor, fibra de vidro, papel, grude de goma e tinta em espetáculo para receber os foliões.
- INSTALAÇÕES
Uma torre logo na entrada da Cidade Alta vai suspender um grande mapa da África, todo em backlight, ladeado pelos nomes de cada País. A ideia é lembrar as pessoas que a África é um continente que se divide em 56 países. Quatro totens embaixo do mapa completam a instalação com imagens características da forma.
A sede da Prefeitura de Olinda receberá em sua fachada um verdadeiro panteão de deuses afro-brasileiros. É lá onde os foliões poderão admirar um peji (casa de orixás) com 13 dos mais conhecidos orixás: Iansã, Obá, Ogun, Obaluaiê, Oxossi, Xangô, Oxum, Iemanjá, Ibeji, Exu, Maná,Omolu e Oxalá. “Os orixás distribuirão suas bênçãos não somente durante o Carnaval como também pelo ano inteiro”, informa o artista. O trabalho conta ainda com comidas ofertadas aos Santos e seus adereços e ferramentas característicos.
Em um palco frente-a-frente com a prefeitura, os tradicionais Rei e Rainha do Maracatu farão seu cortejo, uma manifestação unicamente pernambucana-africana. No centro da praça se instalará um obelisco de 13 metros, representando mais de três milênios de variadas civilizações. A peça oferece aos foliões frases em escrita cuneiforme (hieróglifos) para reverberar pelo Sítio Histórico: “Ame o Carnaval” e “Preserve Olinda” são algumas delas.
O Pátio das Árvores, ainda no largo da prefeitura, abrigará uma representação de deuses africanos com bonecos – alguns em formas de bichos -, totens e máscaras que transformavam homens em divindades quando era necessária uma intervenção maior nas questões humanas.  Cada instalação contará com placas explicativas em francês, inglês e espanhol.
Já a Praça Laura Nigro, extamente em frente à prefeitura, receberá uma torre com o Rei Momo de um lado e do outro um estandarte monumental de veludo com bordados em canutilhos e paetês, confeccionado pelo Maracatu Piaba de Ouro. A peça carrega frases, todas bordadas, acerca da crescente tolerância dos brasileiros em relação às diversidades culturais, às minorias como índios, quilombolas e pessoas com deficiências.
- CULTURA AFRO-BRASILEIRA
Olinda rende homenagem ao continente africano por todas as relações que a África tem com a nacionalidade brasileira. Diversas manifestações culturais do Brasil sofreram algum grau de influência da cultura africana desde os tempos do Brasil colônia até os dias de hoje. A cultura da África chegou ao Brasil trazida pelos escravos negros e são encontradas hoje em nossa cultura na música popular, religião, culinária, folclore e festividades populares.
O estado de Pernambuco foi um dos mais influenciados pela cultura de origem africana, tanto pela quantidade de escravos recebidos durante a época do tráfico como pela migração interna dos escravos após o fim do ciclo da cana-de-açúcar na região Nordeste. Ainda que tradicionalmente desvalorizados na época colonial e no século XIX, os aspectos da cultura brasileira de origem africana passaram por um processo de revalorização a partir do século XX que continua até os dias de hoje.
- HOMENAGEADO: Fernando Augusto Gonçalves
Nasceu no Recife, mas foi criado em Olinda. Graduado em Comunicação Social e Sociologia é apaixonado pela arte e pela cultura. Iniciou sua carreira artística no Teatro Popular do Nordeste, como assistente de direção, passando a atuar, posteriormente, em áreas técnicas, como cenografia, iluminação e figurinos.
Em 1975 criou o Grupo Mamulengo Só-Riso e passou a coordenar em vários projetos de difusão da arte e da cultura em comunidades carente e escolas de Olinda, além de representar a cidade e o País em vários encontros culturais dentro e fora do Brasil.
Entre os vários cargos públicos que ocupou em Olinda, destaca-se o de Diretor do Patrimônio Histórico, quando coordenou as restaurações do Arquivo Público e da Biblioteca Pública municipais, da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e do Palácio dos Governadores, além da construção do Teatro Fernando Santa Cruz. Desde 1994 é cenógrafo do Carnaval da Cidade Patrimônio.
Em 2004, a pedido do Governo do Estado, criou no município de Bezerros o Centro de Artesanato de Pernambuco, nele instalando o Museu do Artesanato de Pernambuco. Em todas as suas áreas de atuação, Fernando Augusto recebeu prêmios de âmbito municipal, estadual, nacional e internacional.
Entre os prêmios importantes que o artista recebeu está o da Ordem do Mérito Cultural, entregue pelo então presidente Lula em ato solene no Rio de Janeiro em 2009. Recebeu também Medalha de Mérito concedida pela Fundação Joaquim Nabuco, o prêmio Rodrigo de Melo Franco do IPHAN e o prêmio Banco Mundial de Cidadania.

Bloco Enquanto Isso na Sala da Justiça celebra 16 anos com grande prévia




Está na hora de tirar a fantasia do armário. Neste sábado (26), a partir das 22h, o blocoEnquanto Isso na Sala da Justiça realiza uma das prévias mais aguardadas pelos foliões, no Centro de Convenções. O baile, em comemoração aos 16 anos do bloco, é animado pela Orquestra do Homem da Meia Noite, Monobloco, Falcão (vocalista da banda O Rappa) e Os Loucomotivos, e a Academia da Berlinda que estará lançando seu novo CD.

Os ingressos custam R$ 35 (meia entrada) e R$ 70 (inteira), disponíveis nas Lojas Cantão do Shopping Recife e Plaza. Dick Vigarista, Homem-Aranha, Wolverine, Avatar, Chiquinha, Jason e inúmeras outras personagens e tipos humanos são aguardados no evento. O bloco Enquanto Isso na Sala da Justiça é o mais disputado nas manhãs de domingo de Carnaval, com a concentração no Alto da Sé de Olinda a partir das 10h.

Reflexões sobre o Egito pós-Mubarak



Por Lejeune Mirhan


Conforme mais ou menos previsto, após um suspense de 20h entre a noite de seu pronunciamento na TV estatal no dia 10 de fevereiro passado, finalmente Hosni Mubarak resolveu renunciar, passando o poder do Estado egípcio para as mãos do Alto Comando das Forças Armadas do país. Dito de outra forma, a continuidade se dá na forma de um golpe militar. Repercussões de grande monta e quero compartilhar com meus leitores muitas reflexões que fiz nessa semana a partir de análises e leituras sistemáticas que realizo.

O Egito depois de Hosni

Já se falou que as ditaduras dos países árabes – honrosa exceção da Palestina – são na verdade de dois tipos de monarquias. Uma do tipo absolutista, onde nem sequer parlamento funciona e o rei, o sheik, o emir, o sultão, o príncipe ou qualquer outro nome que tenha o cargo manda de forma total e absoluta. As outras são monarquias “constitucionais”, por assim dizer, ou seja, apresentam-se como “repúblicas”, possuem presidentes “eleitos”, que muitas vezes se eternizam no poder, como Muammar Khadafi, da Líbia que governa o país “republicano” há “só” 42 anos ou indicam seus próprios filhos para sucedê-los.

No último e histórico dia 11 de fevereiro, às 14h no Cairo (18h no horário de Brasília), a Praça Tahrir (Libertação em árabe) virou uma festa. Havia sido anunciado, num comunicado lacônico de 50 palavras, pelo “vice” presidente, Suleiman, que Hosni Mubarak havia deixado a presidência que seria agora entregue a um “conselho supremo militar”, uma espécie de junta governativa, composta por nove generais, marechais e brigadeiros, todos – sem exceção – nomeados pelo ditador que “deixava” o poder. Ele e seus prováveis 50 bilhões de dólares depositados em contas numeradas na Suíça (que, aliás, já se dispôs a bloquear todos esses recursos).

Um novo quadro se abriria a partir daí. Num primeiro momento, a população ficou feliz, comemorou, fez festa, dançou e cantou. Fez congraçamento com soldados e oficiais do exército, que estavam acantonados na Praça desde 25 de janeiro. No entanto, num segundo momento, as lideranças, partidos e organizações de massa que conduziram a luta do povo – que a imprensa insiste em dizer que “não havia líderes” – deram-se conta que o ditador na verdade não havia caído. Apenas deixou o poder, transferiu-o para gente de sua absoluta confiança. Junta militar sob a coordenação do Marechal de Campo Tantawi, fiel serviçal do ditador (conhecido como poodle de Mubarak) e defensor dos acordos de paz com Israel e militar com os EUA. Avesso a qualquer reforma democrática. Sabe-se que ele é muito próximo do reacionário e conservador Robert Gates, chefe do Pentágono.

Uma junta que passou a governar por comunicados, numerados, como se fossem boletins de juntas médicas que relatam a agonia dos pacientes nos hospitais. Os egípcios deram-se conta de que poderia até ter caído o ditador, mas o regime dava fortes sinais de que continuaria. Pouca ou quase nenhuma alteração havia sido feita. O governo interino, provisório, de civis e de lideranças e de entidades havia caído por terra. Não se fala mais nisso.

Num dos comunicados da junta militar são concedidos 10 dias de prazo para uma comissão de notáveis juristas, de oito membros (sendo um cristão coopta), para emendar a velha e carcomida constituição de forma a ser referendada em 60 dias e novas eleições seriam convocadas a partir disso. Não se fala em constituinte. Nenhum preso político – os milhares antigos e as centenas de novas prisões dos 18 dias de lutas – foram libertados. Nada de anistia. Estado de emergência – que permite prisões sem mandato por tempo indeterminado – continua sem ter sido modificado. Partidos políticos banidos seguem sendo proibidos, em especial os socialistas, comunistas e a Irmandade Muçulmana, pintada como o pior dos males a ser evitado.

Comentários e Desdobramentos

Como sempre, a efígie de Obama moveu-se. Acabou por apoiar a solução, de toda altamente interessante para os EUA. É preciso registrar que nos 18 dias de luta revolucionária do povo egípcio, em nenhum pronunciamento – quase que diário – do presidente dos Estados Unidos, a palavra “eleições livres” foi utilizada. Nem pela senhora Clinton ou pelos porta vozes da Casa Branca. Essa é a concepção estadunidense de democracia. Só serve quando o ditador lhes é amigo, não importa se as eleições são de fachada ou que a democracia inexista. Como diz Pepe Escobar, o grande sonho americano, teria sido implantar no Egito algo parecido com o modelo paquistanês, com elites compradas, um islã político moderado, uma inteligência militar e um general ditador.

Sem exceção, todos os governos árabes pró-americanos da região, segundo o Prof. Sami Moubayed, em artigo no Asia Times (9/2), tem como características em comum: 

1. Sempre combateram o comunismo desde a chamada guerra fria; 

2. Desde 1979, combateram o Irã de Khomeini; 

3. Tudo fizeram para liquidar o islã político, a que chamam de “fundamentalista”, em especial depois do 11/9 em Nova York; 

4. Sempre adotaram posições contrárias aos movimentos sociais, em especial contra os sindicatos; 

5. Atuaram sempre contra as resistências libanesa e palestina.

Uma revolução em curso?

Um debate que já se coloca no momento, em especial na esquerda marxista, é se esta em curso no Egito uma revolução ou não. Como disse Lênin, as condições objetivas para que uma revolução aconteça é que “os de cima não mais conseguem governar como antes e os de baixo já não aceitam ser governados como antes”. Assim, objetivamente falando, há uma situação revolucionária criada no Egito. Resta-nos saber para que rumo ela pode pender neste momento e qual será mesmo o seu caráter.

Nesse sentido, entendo que as causas objetivas do processo revolucionário, com pitadas de subjetividade por assim dizer, podem ser assim resumidas: 

1. Miséria e desemprego elevados; 

2. Corrupção e Nepotismo de forma escancarada; 

3. Ausência completa de qualquer tipo de liberdade, em especial para as organizações de massa da sociedade e aos partidos e imprensa; 

4. Imensa desigualdade.

De meu ponto de vista, há sim um processo revolucionário em curso. Sua liderança vem sendo disputada, basicamente entre três campos distintos. Um deles – ainda que defenda uma linha mais nacional e secular – tem estilo e propostas mais conservadoras. Como dizia o romance de Giuseppe Tomasi Lampedusa, O Leopardo, “é preciso mudar para que tudo fique como está”. Tem forte presença militar e não alteraria o status quo em vigor, qual seja, de manter o Egito sob completo domínio dos Estados Unidos, como país estratégico em termos de área de influência americana e que protegeria Israel na região.

Uma segunda linha, de caráter mais religioso, constitui de certa forma um outro campo. Pode ser polarizado pela Irmandade Muçulmana, fundada em 1928 e que esta proscrita no país desde 1952 quando Gamal Abdel Nasser assumiu o comando do país. Quase não esteve na linha de frente dos protestos, mas é muito forte no país, pela assistência social que pratica. Com candidaturas avulsas ou por outros partidos, conseguiu, nas eleições de 2005, fraudadas, ainda assim, fazer 20% das cadeiras (algo como uns 80 deputados). Esse parlamento foi dissolvido pela junta militar. Analistas estimam que em eleições diretas eles poderiam chegar a 30% dos votos. Tem vies fortemente conservador em termos de costumes, ainda que possa abraçar a causa nacionalista. 

Por fim, há um campo que chamamos de nacionalismo laico, de caráter mais progressista e popular. Ele talvez pudesse reeditar o que um dia se chamou de pan-arabismo, criado por Nasser. Esse campo, ainda não de todo unificado, englobaria as organizações sociais de massa, de jovens, mulheres e sindicatos combativos, partidos mais progressistas, os socialistas e comunistas. Uma plataforma mais avançada chegou a ser esboçada por diversas organizações desse campo, mas ainda não pode ser implantada pela passagem do poder aos militares. Até setores do Islã que não defendem o estado islâmico (sunitas), poderiam fazer uma composição que fortalecesse esse campo. Não é de todo impossível que os muçulmanos se aliem a esse terceiro bloco, se unificados forem para as eleições presidenciais. Como afirma Pepe Escobar, "a revolução egípcia não seria violenta, sectária, islâmica e hierárquica”.

Quanto à questão que a mídia propagou de uma revolução sem “lideranças” e mais de Internet (absurdo isso, até porque menos de 20% da população tem acesso à internet e apenas um terço possuem celulares), do Facebook e do Google como chegaram a dizer, o Bloco Patriótico e o Bloco Democrático, que reune mais de uma dezena de grandes partidos e entidades, apresenta, de forma resumida, a seguinte plataforma que os unifica: 

1. Fim das leis de emergência; 

2. Liberdade de Todos os Presos Políticos (novos e antigos, Anistia Ampla); 

3. Dissolução do Parlamento (atendido pela junta militar); 

4. Formação de um Governo Provisório de unidade nacional, com uma construção coletiva; 

5. Apuração de todos os abusos das forças de segurança (o balanço oficial é de pelo menos 365 mortos, assassinados pela política e mais de cinco mil feridos); 

6. Eleições livres, limpas e democráticas com pleno funcionamento de todos os Partidos; 

7. Constituição de um grupo de trabalho que faça uma proposta de uma nova constituição, a ser eleita por uma constituinte (atendido parcialmente pela junta); 

8. Ampla liberdade de imprensa e de opinião; 

9. Liberdades sindicais e direito de greve e 

10. Abolição das cortes militares.

De fato, tal programa, bastante avançado para o Egito e a região como um todo, unificaria todas as forças patrioticas e populares egípcias. Mas, como um ou outro desses dez itens contemplados, os militares não dão nenhum sinal de que concordam com esse programa de transição. A vida e a história vai nos comprovar se essa Revolução Árabe terá mesmo um caráter progressista, popular e mesmo socialista. No momento, as coisas ainda não estão claras qual linha será seguida. 

De uma coisa pelo menos estamos de acordo: a liderança do movimento procurou ser ampla, sem sectarismo, envolvendo todas as tendências, forças políticas e religiões, ainda que discordando dos militares, nunca fechou as portas para o diálogo, organizou amplas paralisações do trabalho e em fábricas estratégicas (como veremos a seguir) e usou adequadamente as comunicações eletrônicas em seu benefício (mensagens de celulares e Internet com as redes sociais).

O papel dos Trabalhadores e dos Sindicatos

Durante os quase trinta anos da ditadura de Mubarak, os sindicatos foram controlados a ferro e fogo. A central sindical oficial é extremamente moderada e pró-governo. Chama-se ETUF, que na sigla inglesa quer dizer Egipcian Trade Union Federation. Tal entidade não convocou nenhuma manifestação durante as mobilizações populares e em 27 de janeiro chegou a emitir uma nota dizendo que faria de tudo para “conter os protestos dos trabalhadores”.

Houve um racha no movimento sindical e uma nova organização surgiu nas lutas, capitaneadas pelos sindicatos independentes de servidores públicos, da área da saúde e alguns de origem operária. Desse movimento, surgiu a Federação dos Sindicatos Independentes do Egito. Os sindicatos de profissionais liberais – que são fortes nesse país e possuem modelo parecido com os que temos no Brasil – estiveram na linha de frente das manifestações. Em especial os sindicatos de médicos, advogados e engenheiros. A prova da força desses sindicatos é a nota da Junta Militar, em seu 5º comunicado, que exorta aos trabalhadores “operários e aos profissionais” a que voltem ao trabalho e encerrem as greves.

É preciso destacar que num processo revolucionário geral que vive hoje o Egito, isso também se verifica na esfera sindical. A maioria dos sindicatos são controlados por sindicalistas ligados ao Partido do ditador Mubarak, o Nacional Democrático. Nesse processo, sindicatos foram ocupados e muitas direções foram destituídas. Novas entidade foram formadas.

A grande imprensa escondeu, durante a maior parte do tempo, essas mobilizações operárias e proletárias em geral. Mas, foram registradas grandes mobilizações dos operários têxteis da região do Delta do Nilo na cidade de Mahalla, com milhares de operários (a maior concentração operária do Norte da África e mundo árabe); trabalhadores em telecomunicações se mobilizaram; bem como os do setor de limpeza; professores universitários decretaram greve geral; jornalistas tomaram de volta seu sindicato histórico; ferroviários paralisaram atividades; fábricas e instalações industriais foram ocupadas; federação dos aposentados saíram ás ruas. Tudo isso, de modo geral, podemos dizer que o processo revolucionário em curso chegou às fábricas e locais e de trabalho. Vários comitês revolucionários foram criados no processo. 

Os operários das cidades de Suez, Port Said e Ismaillia, metalúrgicos e siderúrgicos paralisaram a produção. Os seis mil trabalhadores públicos do Canal de Suez cruzaram os braços. Nessa região concentram-se grandes estaleiros, que interromperam suas atividades. Operários das empresas de Carvão e Cimento, no distrito de Halwan também suspenderam o trabalho. Papel de destaque tiveram os petroleiros, que desafiaram o ministro do Petróleo, Sameh Fahmy. São operários da estatal PetroTrade Companhy e as Petroment e Syanco. Ferroviários exigiram a participação nos lucros das empresas. Os motoristas e condutores das empresas públicas de ônibus do Cairo aderiram ao movimento paredista. Enfim, pode-se dizer que o processo em curso contou com elevada participação do proletariado egípcio. 

As reivindicações gerais das organizações sindicais em luta podem ser resumidas em: 1. Direito ao Trabalho; 2. Salário Mínimo de 150 Euros; 3. Direito à Proteção Social (moradia, educação, transportes e saúde de boa qualidade); 4. Liberdade Sindical e 5. Libertação de todos os presos, em especial, sindicalistas.

Do ponto de vista da solidariedade operária e proletária internacional, devemos somar nossas vozes do sindicalismo classista com a revolução no Egito, gritando em alto e bom som: Tirem as Mãos do Egito! Abaixo o Imperialismo! Solidariedade com a Revolução Egípcia! Nossos corações de trabalhadores batem forte com os egípcios. Como diz o blogueiro egípcio Honam El Hamalawy, “agora as fábricas têm que ocupar a Praça Tahrir”.

Autores que merecem registro

Como sempre fiz semanalmente para produzir meus escritos sobre OM, leio dezenas de artigos que nos chegam (em especial pelo coletivo de tradutores da Vila Vudu). Outros são mesmo autores nacionais. Compartilho com meus leitores alguns comentários com os quais me identifico:

Gilbert Achcar, da School of Oriental and African Studies de Londres, que diz “para impor mudança tão ampla, o movimento de massas egípcio teria que quebrar a espinha dorsal do regime, que é o seu exército”. E, claro, não há a menor condição de que isso ocorra. A tomada da “Bastilha” egípcia não aconteceu. Pelo menos não por enquanto.

Nabil Shawkat do Ahram Online, que diz “o espírito do governo de Hosni Mubarak, a essência de seu regime, seus métodos estão longe de acabar”. Isso reforça o que dissemos anteriormente, qual seja, que o ditador caiu mas as mudanças do regime foram pontuais.

Immanuel Wallerstein (citado por Antonio Luiz M. C. Costa, de Carta Capital de 16/2, pág. 39), “os EUA, aflitos para ficar ao lado dos vencedores, mas sem saber exatamente quais serão e sem querer perder o apoio dos ditadores e monarcas absolutos de que ainda julgam precisar, fazem do Irã e da Turquia os dois maiores ganhadores com o processo revolucionário que agita os países árabes”. 

Aqui é preciso registrar ainda – comentário que li em diversos ensaios – que duas grandes “teorias” caíram por terra com esse processo revolucionário egípcio. A primeira, que já estava praticamente morta, de Francis Fukuyama, com o livro “O Fim da História”. E a segunda, de Samuel Hungtinton, com o “Choque de Civilizações”. O primeiro de 1989 e o segundo de 1996 – li ambos, sendo que o segundo, ainda em inglês, na Foreing Affairs publicado em forma de artigo – com o título Clash os Civilization.

Por mais que Obama e seu antecessor Bush (filho) falem em “levar democracia para o mundo árabe”, as suas duas e desastrosas experiências desse processo dito democrático, feito na bala e com bilhões de dólares de gastos e milhares de vítimas americanas estão sendo vividas há oito anos no Iraque e há dez anos no Afeganistão. O Egito, com todas as limitações da junta militar, deve aprofundar a sua democracia num prazo máximo de um ano, como jamais se viu em toda a sua própria história moderna. Isso, sem dúvida, deixa a tríade Washington, Riad e Telavive em completo desespero.

Não nos esqueçamos jamais que tanto o governo israelense de Benjamin Netanyahú, como a monarquia absolutista e pró-americana da Arábia Saudita, trabalharam dia e noite, de forma incessante, para que Hosni, seu queridinho, seguisse à frente do governo egípcio. Foram fragorosamente derrotados.

Algumas conclusões

Como faço sempre, nesses artigos mais analíticos que tenho produzido, apresento aos leitores algumas conclusões. São elas:

1. A questão central continua sendo os rumos que o novo governo, seja ele militar ou civil, irá adotar com relação aos acordos de paz com Israel de 1979. Se eles serão mantidos ou não. Isso tem reflexos nos acordos militares de cooperação com os Estados Unidos. Dito de outra forma, por mais moderado que venha a ser o novo governo, será muito difícil que ele seja completamente subordinado à política externa dos Estados Unidos. Ou ainda, como diz o Prof. Reginaldo Nasser (PUC/SP), não peitar os EUA, não significa necessariamente apoiar o massacre dos palestinos, como fazia Mubarak ou aceitar o dinheiro sujo estadunidense para o setor militar dos EUA, não significará necessariamente subserviência aos americanos. O certo é que os Estados Unidos não mais conseguirão manter a sua hegemonia regional da forma e com a intensidade que tinham antes;

2. Como diz Escobar, é possível que tanto a junta militar, como o novo governo civil, possa ajudar mais os palestinos, abrindo a fronteira com a Faixa de Gaza na cidade de Rafah. É possível ainda que o subsídio da venda do metro cúbico do gás para Israel, que é subsidiado, sofra reajustes e, por fim, os navios americanos que cruzam o Canal de Suez passem a pagar tarifas de pedágio. Tudo isso, são derrotas para Israel e os EUA, ainda que possa não ocorrer um rompimento formal;

3. Apesar de amplamente desmentido, de entrevistas de seus dirigentes em vários órgãos de mídia, a Irmandade Muçulmana não prega a existência de um “estado islâmico”, nos moldes do Irã, para a realidade do Egito (como, aliás, no Líbano a mesmo coisa, com relação ao Hezbolláh);

4. Continuo não tendo dúvida alguma – e Nasralláh do Hezbolláh libanês também não as têm, como diversos outros analistas internacionais – de que o grande derrotado até o presente momento segue sendo Israel, seguido da Arábia Saudita, Jordânia e Iêmen;

5. As massas árabes, em particular as egípcias, por mais combativas e revolucionárias que tenham sido nesse período, não venceram, não derrotaram o exército do Egito;

6. As elites egípcias – percentualmente muito menor em termos populacionais do que no Brasil, por exemplo – tudo farão para que a revolução, de caráter mais popular e progressista – quiçá socialista – seja derrotada;

7. Continuo achando que o nacionalismo árabe, o pan-arabismo, fundado por Nasser, voltou a crescer e se fortalecer. Poderá jogar papel mais preponderante. Esse nacionalismo se expressa pela defesa da soberania e da independência de todos os países árabes, respeito aos direitos de seu povo, solidariedade ao povo palestino;

8. É crucial que as organizações de massa, os sindicatos, os partidos políticos organizados mantenham a pressão das ruas pelo fim do regime, pelo afastamento da junta militar e pela imediata e verdadeira democratização do país;

9. Como diz Marwan Bishara, editor de política da Al Jazeera, o que agora mais se ouve na Praça Tahrir e nas ruas do Egito é a expressão em árabe ma-shallah que quer dizer “essa é a vontade de deus” em oposição ao tradicional e conformista in-shallah que quer dizer “se deus quiser”. É o novo ânimo redobrado das massas;

10. Por fim, como diz um dos melhores estudiosos e analistas do OM, Pepe Escobar, “se a Comuna de Paris falhou, segundo Marx, em 1871 foi porque não marchou sobre Versailles, dando tempo à contra-revolução para se organizar; a jovem revolução egípcia vem optando em não confrontar com o regime e a junta militar; todo cuidado é pouco”. Estou de pleno acordo. Só as grandes mobilizações das massas árabes poderão assegurar as vitórias do povo árabe.

Rádio França Internacional

Esta semana, concedi à jornalista brasileira Lúcia Fróes, de Paris, uma entrevista à Rádio França Internacional. Essa rádio é uma espécie de BBC francesa e é difundida para vários idiomas de todo o mundo. Espero que gostem e estejam de acordo e, quando for o caso, me enviem comentários. É uma análise do momento específico de incertezas e inseguranças que tod@s que lutaram nas ruas árabes e egípcias vivem em função da tomada de poder pela junta militar. A entrevista pode ser ouvida pelo endereço http://www.portugues.rfi.fr/geral/20110215-egito-precisa-de-eleicoes-livres-diz-analista 



* Sociólogo, Professor, Escritor e Arabista. Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa e da International Sociological Association e colunista da Revista Sociologia da Editora Escala. E-mail lejeunemgxc@uol.com.br