segunda-feira, 16 de maio de 2011

Encontro de Blogueir@s e Redes Sociais de Pernambuco


No dia 21 de Maio, o Centro de Convenções será o cenário do Encontro de Blogueiros e Redes Sociais de Pernambuco, com a presença dos jornalistas, Altamiro Borges e Paulo Henrique Amorim. As inscrições são gratuitas e feitas pela internet.


Para participar do evento, faça a sua inscrição clicando aqui.

domingo, 8 de maio de 2011

Fliporto 2011: evento acontecerá novamente em Olinda

A Cidade Patrimônio recebe a sétima edição da Festa Literária Internacional de Pernambuco. Tema deste ano será 'Literatura Oriental' e terá o escritor Gilberto Freyre como homenageado


Por Secretaria de Comunicação de Olinda
Lançamento da Fliporto 2011. Foto: Márcia Lira
Lançamento da Fliporto 2011. Foto: Márcia Lira

 
Se em 2009 foi a vez da influência ibérica e, em 2010, da presença judaica, nesta edição a Fliporto 2011 irá fazer uma verdadeira viagem ao Oriente. O evento, que será realizado entre os dias 11 e 15 de novembro, em Olinda, irá trazer escritores, pensadores e acadêmicos que lidam diretamente com a questão da identidade do Oriente e suas intersecções.

“A Fliporto foi um grande presente para Olinda. É um evento consagrado e conhecido no Brasil inteiro, que encaixou muito bem na cidade. Olinda emprestou seu charme para a festa literária”, explicou o prefeito Renildo Calheiros. De acordo com o prefeito, a pretensão da prefeitura é construir um teatro no Sítio Histórico para dar melhor suporte a eventos dessa natureza. “A organização contará com todo o empenho e esforço da nossa equipe”, completou.

Segundo o coordenador geral da Festa, o advogado e escritor Antônio Campos, esse é o momento ideal para entendermos a ligação do Brasil com o pensamento oriental. “Queremos fazer um verdadeiro apanhado da literatura do Oriente. Dialogar com o que há de melhor nessa filosofia e brindar todos os escritores brasileiros que fizeram essa viagem de conhecimento e redenção”, aponta.

O homenageado deste ano será o escritor pernambucano Gilberto Freyre, que em 2011 comemora o cinquentenário das viagens que realizou à África, Portugal e aos países do Oriente, resultando no lançamento do título “Aventura e Rotina”, um belo diário de viagem publicado dois anos depois.

O jornalista e escritor Mario Helio Gomes é quem assina a curadoria literária da festa, que trará escritores como Derek Walcott (Santa Lúcia, Caribe), Fernanda de Camargo-Moro (Brasil), Tariq Ali (Paquistão), José Roberto Teixeira Leite (Brasil), Joumana Haddad (Líbano), Ryoki Inoue (Brasil) e Abdel-Bari Atwan (Palestina). Neste ano a Fliporto mantém a atuação de seus diversos polos com a Fliporto Criança, o Cine Fliporto, a Fliporto Digital e a Fliporto Gastronomia.

Todas as informações sobre a Fliporto estarão disponíveis no endereço eletrônico www.fliporto.net.

sábado, 7 de maio de 2011

Fidel Castro comenta o assassinato de Osama Bin Laden

Reproduzo texto publicado no sítio Vermelho  

 

Aqueles que se ocupam desses temas sabem que, em 11 de setembro de 2001, nosso povo se solidarizou com o dos Estados Unidos e deu a modesta cooperação que podíamos oferecer no campo da saúde às vítimas do brutal atentado às Torres Gêmeas de Nova York.

Por Fidel Castro

Oferecemos também de imediato as pistas aéreas de nosso país para os aviões norte-americanos que não tiveram onde aterrissar, dado o caos reinante nas primeiras horas depois daquele golpe.

É conhecida a posição histórica da Revolução Cubana que se opôs sempre às ações que puseram em perigo a vida de civis.

Partidários decididos da luta armada contra a tirania batistiana, éramos, por outro lado, opostos por princípio a todo ato terrorista que conduzisse à morte de pessoas inocentes. Tal conduta, mantida ao longo de mais de meio século, nos dá o direito de expressar um ponto de vista sobre o delicado tema.

No ato público de massas efetuado na Cidade do Esporte expressei naquele dia a convicção de que o terrorismo internacional jamais se resolveria mediante a violência e a guerra.

Bin Laden foi, certamente, durante anos, amigo dos Estados Unidos, que o treinou militarmente, e adversário da URSS e do socialismo, mas qualquer que fossem os atos atribuídos a ele, o assassinato de um ser humano desarmado e acompanhado de familiares constitui um fato repugnante. Aparentemente foi isso que fez o governo da nação mais poderosa de todos os tempos.

O discurso elaborado com esmero por Obama para anunciar a morte de Bin Laden afirma: “…sabemos que as piores imagens são aquelas que foram invisíveis para o mundo. O lugar vazio na mesa. As crianças que se viram forçadas a crescer sem sua mãe ou seu pai. Os pais que nunca voltarão a sentir o abraço de um filho. Cerca de 3 mil cidadãos se foram para longe de nós, deixando um enorme buraco em nossos corações”.

Esse parágrafo encerra uma dramática verdade, mas não pode impedir que as pessoas honestas recordem as guerras injustas desencadeadas pelos Estados Unidos no Iraque e Afeganistão, as centenas de milhares de crianças que se viram forçadas a crescer sem sua mãe ou seu pai e os pais que nunca voltariam a sentir o abraço de um filho.

Milhões de cidadãos se foram para longe de seus povos no Iraque, Afeganistão, Vietnã, Laos, Cambodja, Cuba e outros muitos países do mundo.

Da mente de centenas de milhões de pessoas não se apagaram tampouco as horríveis imagens de seres humanos que em Guantânamo, território ocupado de Cuba, desfilam silenciosamente, submetidos durante meses e inclusive anos a insuportáveis e enlouquecedoras torturas; são pessoas sequestradas e transportadas a prisões secretas com a cumplicidade hipócrita de sociedades supostamente civilizadas.

Obama não tem como ocultar que Osama foi executado na presença de seus filhos e esposas, agora em poder das autoridades do Paquistão, um país muçulmano de quase 200 milhões de habitantes, cujas leis foram violadas, sua dignidade nacional ofendida, e suas tradições religiosas ultrajadas.

Como impedirá agora que as mulheres e os filhos da pessoa executada sem lei nem julgamento expliquem o ocorrido, e as imagens sejam transmitidas ao mundo?

Em 28 de janeiro de 2002, o jornalista da CBS Dan Rather difundiu por meio dessa emissora de televisão que em 10 de setembro de 2001, um dia antes dos atentados ao World Trade Center e ao Pentágono, Osama Bin Laden foi submetido a uma hemodiálise do rim em um hospital militar do Paquistão. Não estava em condições de esconder-se nem de proteger-se em cavernas profundas.

Assassiná-lo e enviá-lo às profundezas do mar demonstram medo e insegurança, convertem-no em um personagem muito mais perigoso.

A própria opinião pública dos Estados Unidos, depois da euforia inicial, terminará criticando os métodos que, longe de proteger os cidadãos, terminam multiplicando os sentimentos de ódio e vingança contra eles.

Fidel Castro Ruz
4 de maio de 2011
20 h 34 

Fonte: Cubadebate
Tradução da Redação do Vermelho

domingo, 1 de maio de 2011

A homenagem de Maiakovski ao Dia Mundial do Trabalhador

Leia abaixo os versos do grande poeta e revolucionário russo sobre o Primeiro de Maio.

Meu Maio (Vladimir Maiakovski)

A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Onde está o povo nas lutas da história do Brasil!?!

 
Nos livros de história o povo quase nunca aparece. É Pedro I gritando, Bonifácio propondo, Isabel "abolicionando", Caxias puxando a espada, um tal de "quem for brasileiro, siga-me" ou "morre um liberal mas não morre a liberdade". Povo que é bom...

Será verdade?

Fala-se muito que este é um "povinho safado" . Dizem que o brasileiro não luta, aceita os fatos passivamente e que as grande mudanças na política acontecem sem sua presença.

Melhor repensar algumas coisas. Quem é o povo? O que são grandes mudanças políticas? E, afinal, a velha e anedótica questão - que país é este?

Antes das respostas, porém, vamos lembrar o óbvio: sem povo, não há história. E repetir o truísmo: a história tem sido escrita pelos vencedores. Especialmente no Brasil, com raras exceções, sua interpretação é feita pelas classes dominantes.

Uma das características básicas da historiografia oficial é negar ao povo qualquer participação profunda nas mudanças da sociedade. A partir daí se exerce um controle ideológico tendo por base o seguinte: são os "grandes homens", os "heróis" e os "santos" que lutam pelas massas, pois elas são incapazes de entender a grande política.

O culto ao herói, ao grande homem, é utilíssimo ao poder. Através do mito criado aprendemos a respeita a autoridade e a não questionar o que é "de lei". O culto aos grandes homens do passado, feito muitas vezes contra a verdade histórica, projeta-se nos anões políticos do presente, menosprezando a capacidade política do povo de cuidar do seu próprio destino. É muito simples entender, mas bastante complexo desarmar toda essa mistificação.

Séculos de dominação ideológica, que nunca mostram o outro lado da história, levam-nos a acreditar nas "verdades estabelecidas". Com referência à história do Brasil, é mais fácil as pessoas aceitarem a mentira do que a verdade. Uma consequência lógica. É uma das grandes forças que mantêm a opressão sobre a maioria do povo brasileiro.

Este texto não pretende ser o dono da verdade - é preciso duvidar dos "donos da verdade" - mas oferece uma pequena contribuição á quebra de mitos. Comecemos então com alguns deles.

No início era o caos.

Já ouvimos a história: Deus criou a Terra, "...que era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o espírito de Deus de movia sobre a face das águas".

Os homens precisavam explicar o mundo; viviam e morriam em um universo que não entendiam. Para explicar o desconhecido, inventam. A invenção acalma os curiosos, elimina ou "explica" seus medos.

As lendas, surgidas para satisfazer a curiosidade popular, logo passam a ter uma função política mais definida, organizando a vida através da sua manipulação por grupos sociais e seus líderes. Dentro de certo tempo transformam-se em mitos absolutos. Primeiro divertem e explicam. Depois, servem aos núcleos dominantes: intimidam e condicionam comportamentos.

Os primeiros grupos de poder usufruem precariamente desses mitos, explicando o mundo. Com o desenvolvimento cultural, os intelectuais "trabalham" e "refinam" as lendas e elas acabam condicionando os homens de justificando os sistemas sociais. A permanência do mito é um dos seus aspectos políticos mais importantes.

Depois de milhares de anos de vida social, não é de admirar que a maioria das pessoas acredite que o mal seja um castigo divino para a humanidade pecadora. Milhões ainda crêem que a maldade - onde de incluem a miséria, a opressão, o roubo etc. - não decorre essencialmente dos desajustes sociais atuantes sobre o homem. Pelo contrário, aceitam que a sociedade é injusta porque os homens são maus.

Um dos mais velhos mitos, o da Idade do Ouro, com sutis modificações, ainda condiciona a mente dos homens. Antigamente tudo era paz e fartura. Então foi aberta a caixa da lendária Pandora, deixando escapar as maldades ali contidas. Foi o caos. Acabou-se o milagre. Não mais rios de mel e alimento abundante.

Tanto aí como com Adão e Eva, o homem perdeu o paraíso. Agora teria que trabalhar e sofrer para purgar seu pecado.

O que tem este breve e incompleto texto com o nosso tema? Tem que o Brasil, ao ser "descoberto", oferece a oportunidade de se reinventar o paraíso.

Uma das primeiras informações de Colombo sobre a América afirma que ele descobrira o paraíso - o Éden - onde teriam vivido Adão e Eva. Fala da natureza dadivosa, rios de mel, flores perfumando o ar, elogia o clima, que não é frio nem quente, conta sobre monstros dóceis etc. Tudo isso serve de apelo promocional para a nova terra.

Os primeiros escritos sobre o Brasil narram maravilhas. José de Anchieta, por exemplo, inventa que aqui os homens nunca adoecem; ninguém precisa trabalhar: os frutos estão prontos para a colheita. Vários escritores da época falam em abundância de ouro e prata, pedras preciosas ao alcance das mãos. As nossas índias, segundo Caminha, tinham as "vergonhas saradinhas" e os índios nao se incomodavam se os brancos folgassem com elas.

São meias verdades e mentiras transformando-se em mito: o que havia era muito mosquito picando português; mel, só subindo-se em árvores para pegá-lo, desafiando as abelhas; folgar com as índias? - e o tacape dos bugres?

Que em se plantando tudo dava, quem soube foi o negro, lavrando a terra onde fez nascer canaviais.

Por que tanta mentira? E po que tanta mentira virou "verdade" na história, permanecendo inclusive algumas ainda hoje?

Porque Portugal precisava colonizar este país, de certa forma inóspito. Os portugueses recusavam-se a viajar para o Brasil naquelas caravelas inseguras, com medo de naufragar pelo mar oceano. Então, numa época de grande miséria e repressão religiosa e política na Europa, acena-se com um paraíso á mão: o Brasil. A propaganda é tão descarada que quando alguns começam a duvidar desse paraíso, dando pela falta da maçã - afinal, a fruta comida por Eva - alguns intelectuais desenvolvem a teoria de que realmente a tal fruta foi o maracujá, abundante no Brasil.

É preciso mentir e criar o mito, para colonizar o país.

E não param mais.

Tanto não param que, ao se descobrir que o índio não é dócil e luta para não ser escravizado, inventa-se que ele é preguiçoso e não que trabalhar. Até hoje muita gente acredita nisso. E tome matança de índios, que ainda nao parou.

Eles reagem e não aceitam a escravidão e, por isso, importam-se negros. Como Portugal é uma nação católica e escravizar seres humanos fere a moral cristã, o papa Inocêncio IV edita uma bula afirmando que negro não tem alma e, assim, ao morrer ele ganha o céu... tão mais merecido quanto mais sofrer neste vale de lágrimas (ou seja, quanto mais enriquecer seu senhor).

Criar mentiras e tranformá-las em mitos foi uma necessidade do invasor portugês no Brasil. Deu tão certo que o processo continuou para justificar a opressão do povo. De um lado, os que estavam com o poder foram transformados em heróis, super-homens; os que ficaram ao lado do povo, nas suas lutas libertárias, desapareceram ou foram apresentados como bandidos e dementes.

Em Os sertões, por exemplo, Euclides da Cunha diz que o mestiço - por acaso a maioria do nosso povo - é um decaído, "sem a altitude intelectual dos ancestrais superiores", que certamente são os "brancos". Antônio Conselheiro era, para Euclides, o representante de "todas as tendências impulsivas das raças inferiores".

Ao lado dessa difamação da gente do povo houve a deificação dos representantes do poder. Pedro I, por exemplo, nada tem de heróico era até covarde em certa medida, inescrupuloso violador de menores indefesas. O seu grito não libertou o Brasil, nem ele queria isso. José Bonifácio era um dúbio senhor, dizendo o que não fazia, perseguindo inimigos ao mesmo tempo em que produzia  esboços de projetos liberais. Caxias foi terrível exterminador de rebeldes, a ferro e fogo. Intrigava e subornava, responsável pela matança de negros em porongos, como veremos.

Não se trata simplesmente de inverter as coisas, dizendo o contrário do que a historiografia oficial afirma. Nada disso, mas demonstrar que, por exemplo, um senador chamado de ladrão no seu tempo, numa injusta intriga política, passa a herói, como Caxias. E que um demônio como Tiradentes transmuda-se em santo quando o poder tem necessidade de um novo tipo de mártir.

Esse começo não parece promissor. Portanto, melhor mesmo é nos atermos às lutas do povo brasileiro. A algumas delas, aqui julgamos as mais características, para lembrar que o povo brasileiro luta, é traído, apanha mais do que bate e sempre, quando vencido, é tratado como animal feroz que precisa ser extirpado da face da Terra, como em Canudos, na Cabanagem, em Porongos, na Balaiada...

Mais fácil, portanto, é extirpar este bravo povo das páginas da história oficial do que do seu país. Ele está ai. Lutando.


Texto retirado do livro "AS LUTAS DO POVO BRASILEIRO - Do 'descobrimento' a canudos" de Júlio José Chiavenato